Ela nasceu na gélida Islândia e foi batizada com um nome que significa arbusto proveniente de clima frio. Mas a temperatura baixa pára aí. Filha de pais hippies, a esquimó Björk tratou de quebrar o gelo metendo-se em apimentadas polêmicas na sua trajetória de cantora e, mais recentemente, na natimorta carreira de atriz. Mesmo com uma promissora estréia, venceu a cobiçada Palma de Ouro em Cannes com o filme Dançando no Escuro, criou nova controvérsia ao afirmar que desistiu definitivamente de ser atriz. A cantora islandesa de maior sucesso na história de seu país choca pela sua personalidade nada convencional. Não poderia ser de outro jeito. Björk nasceu em 21 de novembro de 1965, no meio de uma comunidade hippie, em Reykjavik, capital da Islândia. Mas, diferente de seu nome, arbusto de clima frio, Björk não criou raízes.
Ainda criança, Björk Guðmundsdóttir despertou seu interesse pela música aprendendo a tocar flauta. Aos 11 anos de idade gravou seu primeiro disco, Fálkinn, de 1977, com regravações de Stevie Wonder, Os Beatles e cantores islandeses, repleto de influências dos anos 70. Em 1978, criou sua primeira banda, Exodus, que chegou a fazer uma aparição no único canal de televisão local. Aos 15 anos, embalada pela onda punk que chegou à Islândia, Björk formou o grupo Tappi Tíkarrass, com o qual lançou dois álbuns. Três anos mais tarde investiu em um novo projeto, a banda Kukl, que significa "bruxaria". O grupo estreou com o disco The Eye, de 1984, e excursionou por vários países. Holidays in Europe, o segundo álbum do Kukl, lançado no ano seguinte, resultou em uma turnê pela Europa. Depois de uma exaustiva série de shows, Björk fez uma pausa na sua carreira para o nascimento do filho Sindri, de seu relacionamento com o baixista da banda, Thor Eldon, em junho de 1986. Ainda amamentando o bebê, a cantora voltou aos palcos e, mais uma vez, mudou o nome da banda para The Sugarcube, que lhe lançou definitivamente ao sucesso. Em 1993, porém, Björk investiu em carreira solo e lançou o álbum Debut, que marcou sua estréia como compositora. Seu trabalho mistura jazz, funk, acid dance e offbeat, trash metal e ópera. Tudo alinhavado pelo incomum timbre vocal da cantora. As músicas Human Behavior, Big Time Sensuality e Venus As a Boy, chegaram ao topo de paradas de sucesso. O segundo disco solo, Post, lançado em 1995, mostra bem as fusões pretendidas pela cantora. A faixa Army Of Me, que fez parte da trilha sonora do cult movie Tank Girl, se tornou um dos hits do disco impulsionando as vendas de Post para marcas acima dos três milhões e meio de cópias. O terceiro álbum solo, Homogenic, gravado na Espanha é considerado o melhor trabalho da islandesa e um dos mais festejados lançamentos de 1997, elogiado pela crítica. Homogenic levou a cantora a turnês pela Europa e Estados Unidos. O sucesso na Europa levou o diretor francês Lars Von Trier a convidá-la, no ano passado, para fazer o personagem principal de seu filme Dancer In The Dark, além de a incumbir de produzir a trilha sonora do longa. Apesar das divergências entre o diretor e a protagonista - que acabaram fazendo com que Björk jurasse nunca mais atuar como atriz - o filme ganhou a Palma de Ouro e deu o prêmio de melhor atriz a Björk, em Cannes. Mas a premiação não balançou a cantora do gelo. Ela afirmou que pretende continuar se dedicando exclusivamente ao que mais lhe interessa, a música. Fonte: www.huntershome.com.br